Pérolas da cidade: Igreja Nossa Senhora da Penha de França


Uma das coisas que mais gosto de fazer é andar por aí, observando os lugares e as pessoas. Numa dessas andanças recentes, topei com a Igreja Nossa Senhora da Penha de França. Embora eu tivesse frequentado bastante o bairro paulistano da Penha durante a infância e adolescência (ele fica próximo ao bairro onde moro), nunca tinha percebido essa pérola cheia de detalhes pitorescos. Não sei se foi o belo dia ensolarado ou a desaceleração típica das férias (ou os dois juntos), mas tive uma vontade imensa de ver-entrar-registrar o que aquela construção me oferecia. A começar pela entrada: o ano de 1682, gravado logo acima da entrada, já dá pistas que tudo ali cheira a história.

Ok, ok… o carro estacionado na frente, com diversos cartazes convidando as pessoas a comprarem uma rifa p/ tentar a sorte e levá-lo p/ casa era curioso, mas não foi o que me fez entrar. Lá dentro, lamentei só ter em mãos o meu celular para tirar fotos; as imagens poderiam ter saído melhores com uma câmera de verdade. Cheia de detalhes, do teto ao chão, o interior da igreja nos carrega a uma outra dimensão e época.

À esquerda da entrada há uma lojinha de artigos católicos e à direita temos um… veleiro?!

Sim, esse era o nome da salinha de paredes escuras, apenas iluminada pelas dezenas de velas acesas pelos fiéis. Nas paredes há diversos avisos e recomendações para as pessoas terem cuidado ao acender e fixar as velas, não derramarem água no recinto e não esbarrarem em nada. A preocupação é óbvia, mas não deixa de ser um pouco engraçada.

Outro detalhe curioso é o charmoso recipiente “self service” de água benta na parede, ao lado da lojinha.

Depois do passeio supresa, fui pesquisar a história da igreja. Ela é muito mais antiga do que a sua própria fachada dá a entender. A sua história se confunde com a própria história do bairro. Alguns documentos registram a existência da igreja em 1667, mas é possível que ela tenha sido criada até antes. E 1682 entra em que momento? Bem, este foi o ano em que o Padre Jacinto Nunes de Siqueira, proprietário e protetor da capela, a “dotou com bens de raiz” (entenda-se um sítio p/ aumentar a capela, escravos, empregadose e 150 mil réis), conforme dizia seu testamento. A atual construção é fruto de uma reforma dos anos 30.

A versão popular para o surgimento da igreja é muito mais interessante. Conta-se que, lá pelos idos de 1600, um francês viajava de São Paulo ao Rio trazendo em sua bagagem uma imagem de Nossa Senhora, trazida de sua terra natal. Resolveu pernoitar no alto de uma colina, onde hoje é a região da Penha. Ao amanhecer, desmontou seu acampamento e seguiu viagem. Depois de muito andar, percebeu que a imagem não estava com ele. Resolveu voltar ao lugar onde havia descansado e lá a encontrou. Daí, continuou seguindo o seu caminho. Quando caiu a noite, ele percebeu, de novo, que a santa não estava com ele. Ao retroceder um pouco, descobriu que a imagem estava no mesmo lugar da primeira vez. Para ele não havia dúvida: era um aviso de que a Virgem queria ficar ali. Foi então que o viajante construiu uma capelinha ali mesmo na colina.

A história também acaba explicando a origem do nome do bairro. No século 17 já existiam diversas capelas de Nossa Senhora da Penha em todo o Brasil. O bairro da Penha também possui uma outra igreja histórica, a de Nossa Senhora da Penha e São Benedito, a poucos quarteirões desta igreja, no Largo do Rosário. Bom, mas isso é assunto para um outro post…

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