Ariane Prin e seus lápis feitos a partir de resíduos

Setembro é um mês verde. Não somente porque é quando a primavera começa, mas por reunir diversas datas relacionadas à natureza, ao meio ambiente e sua preservação: o Dia da Amazônia (dia 5); o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio (dia 16); o Dia da Árvore (dia 21) e o Dia Mundial Sem Carro (dia 22). Aproveitando a ocasião, o Dropsonomia vai publicar, durante esse mês, posts sobre ideias e iniciativas bacanas que envolvam esses temas. Espero que a proposta de um mês temático me force a escrever mais frequentemente; até para não passar o carão de publicar somente um post nesse período…

Começo, então, pela ideia da designer francesa Ariane Prin, que reaproveita o lixo gerado nos departamentos da Royal College of Art, onde faz o seu mestrado, para transformá-lo em lápis.

O RCA, localizado em Londres, é reconhecido mundialmente por seus cursos de pós-graduação em arte e design. A sua ficha caiu quando notou a grande quantidade de resíduos, no chão da carpintaria da instituição, que poderiam ser aproveitados em algo útil aos próprios alunos.

De início, ela não sabia nada sobre como confeccionar lápis. Vasculhou a internet atrás de tutoriais e entrou em contato com fabricantes, a fim de aprender um pouco mais sobre o processo de fabricação. Após muitas pesquisas e experimentações, Ariane desenvolveu seu próprio método (boas ideias só saem do papel depois de muito suor e trabalho…). Recolheu os restos de cada departamento da escola para usá-los como sua matéria-prima: a farinha da cafeteria e a serragem da carpintaria (para fazer o corpo do lápis); a argila do departamento de cerâmica, o grafite do departamento de vidros, a cera do departamento de confecção de jóias e a tinta do departamento de gravura (para fazer a parte de dentro).

Adaptou uma extrusora de cerâmica – equipamento em formato de tubo, como aqueles em que se faz nhoque – para dar o formato cilíndrico do lápis às massas obtidas a partir da mistura dos resíduos. Ao combinar diferentemente os materiais, ela conseguiu obter lápis de diferentes cores e aspectos, com o charme típico do produto artesanal.

Ariane chamou o projeto de “From Here For Here”, para ressaltar o aspecto do reaproveitamento. Todo o processo de fabricação dos lápis pode ser conferido nos vídeos abaixo:

Versão mais longa

From Here For Here – Long Version from Ariane Prin on Vimeo.



Versão mais curta

From Here For Here – Short Version from Ariane Prin on Vimeo.



Os produtos fabricados foram expostos no Graduation Show da Royal College of Art, uma espécie de mostra dos projetos dos mestrandos em arte, uma tradição em outras instituições também. Mas Ariane não quer parar por aí. Segundo ela, a escola gera anualmente 170 sacos de serragem. Cada saco pode produzir 90 lápis; o que acaba totalizando 15.300 lápis! Pensando localmente, essa produção pode ser geradora de renda para a instituição; mas o projeto pode ser reproduzido em outros contextos e situações. Em uma escola, por exemplo, pode servir como atividade de conscientização sobre sustentabilidade para crianças e adolescentes.

Ariane quer expandir sua ideia e ela já mostra fôlego para isso. Em seu site, você vê mais fotos e desenhos deste e de outros projetos legais que ela já fez.

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2 respostas em “Ariane Prin e seus lápis feitos a partir de resíduos

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