Coisas estranhas que clientes falam em livrarias

“Eu li um livro nos anos 80. Eu não me lembro do autor, nem do título. Mas era verde e me fez rir. Você sabe de que obra estou falando?”

Parece brincadeira, mas foi uma pergunta sincera de um cliente num balcão de livraria. E quem estava do outro lado para ouvi-la era Jen Campbell, uma jovem escritora britânica que começou a trabalhar em livrarias quando fazia seu mestrado em literatura inglesa.
Na época (em 2009), iniciou o blog This Is Not the Six Word Novel para contar um pouco sobre suas experiências com a escrita e sua rotina, além de entrevistar poetas, escritores e donos de livrarias pitorescas e independentes. Com o tempo, ela também foi colecionando verdadeiras pérolas dos clientes da livraria. Eram tantas e tão insólitas que acabaram virando um livro chamado “Weird Things Customers Say in Bookshops”(Coisas Estranhas que os Clientes Dizem em Livrarias), que está sendo lançado no Reino Unido.

Por ora, não há perspectivas do livro ser publicado no Brasil, mas se você quiser uma amostra é possível encontrar alguns “causos” no blog da Jen, como este aqui:

“Vocês tem cartazes de filmes em preto e branco?”
“Sim, nós temos.”
“Vocês tem pôsteres de Adolf Hitler?”
“Perdão?”
“Adolf Hitler”.
“Bem, ele não era uma estrela de cinema….”
“Sim, ele era. Ele era americano. Judeu, eu acho.”

Não sei como Jen desenvolveu o restante da conversa (se é que pôde…), mas “coisas estranhas” não são ditas somente em livrarias. Já ouvi diversas anedotas verídicas, dos meus colegas bibliotecários, sobre usuários que chegam totalmente perdidos à biblioteca. Pedir pelo livro da capa de tal cor, ignorando totalmente o autor e o título, é até comum.

Mas creio que, passado o choque da primeira impressão, o lado profissional de quem está atendendo deve tentar desenrolar o que está enrolado. Perguntas do tipo: “mas você se lembra um pouco do conteúdo?”; “era ficção ou não?”; “me conte um pouco da história”; “ela se passava num período histórico ou país específico?”, etc, ajudam a extrair informações mais palpáveis sobre o livro e podem tornar a investigação sobre ele um pouco menos impossível.

É o que se chama, na área da Biblioteconomia, de entrevista de referência que, na verdade, é uma série de perguntas que visam tentar elucidar o que nem o usuário sabe direito o que é. Particularmente, eu acho que essa entrevista (ou melhor, bate-papo) é menos técnica e mais “feeling”; ou seja, é estar sensível à dificuldade de quem precisa da informação. É claro que o conhecimento da área que está sendo requisitada e uma boa dose de curiosidade para querer saber que raio de livro é esse, por exemplo, são fundamentais para a busca ser bem-sucedida. Em alguns casos, obviamente, não há como o profissional fazer milagres quando não há o mínimo farelo de indício do que ser investigado. 🙂

Ah, o livro tem uma página no Facebook

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